Em paralelo às nossas tentativas de caracterização genómica de amostras tumorais da África Subsariana, há também necessidade urgente de estabelecer modelos in vitro adequados para o teste de hipóteses. Na verdade, embora milhares de linhas celulares tumorais tenham sido estabelecidas empregando diferentes métodos de imortalização celular e tenham sido incluídas em painéis de caracterização molecular profunda, a ascendência africana subsariana está limitada a apenas ~6% (e principalmente derivadas de doentes afro-americanos, que representam uma diversidade limitada no contexto do continente africano) das linhas celulares tumorais disponíveis publicamente. Esta disparidade precisa de ser abordada utilizando métodos de imortalização de última geração, tais como a reprogramação condicional.

Neste projeto estabelecemos linhas celulares tumorais derivadas de doentes com cancro de origem nos PALOP. Devido a desafios vários encontrados in loco nos PALOP, tivemos de recolher as amostras frescas (de biópsia ou após cirurgia) em doentes que estavam a ser tratados em hospitais portugueses. Esta estratégia permitiu-nos manter as células vivas e propagá-las em laboratório no i3S. Estas linhas estão a ser caracterizadas para multi-ómicas (genómica, transcriptómica, miRNA e metilómica) de modo a informar molecularmente a condução de testes in vitro adicionais. Bem como para a realização de triagem de alto rendimento de compostos, para avaliar sensibilidades terapêuticas. A investigação em oncobiologia para a ancestralidade subsariana tem o potencial de contribuir informações essenciais sobre diversas vias moleculares que levam ao cancro e encontrar vias terapêuticas promissoras.

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